O grande engano sobre o mau colesterol

Não são poucos os mitos e falsas teorias que cercam o campo da nutrição e a saúde. Destaca-se entre todos eles o conhecido como o grande engano do mau colesterol, considerado por muitos como um argumento sem fundamento, e por outros tantos como uma verdade camuflada por interesses econômicos e de outra natureza. Neste artigo indagamos sobre esta complexa e polêmica. A versão oficial sobre o Colesterol ruim ou LDL Como bem sabemos, os altos índices de colesterol ruim estão relacionados, segundo a versão oficial, com o aparecimento de problemas cardiovasculares. Esta teoria, hoje em dia, fortemente assimilada pela sociedade atual e a comunidade científica, deve a sua existência, em grande parte, ao patologista polonês Rudolf Virchow (1821-1902). Tudo começou quando decidiu atribuir o espessamento das artérias das pessoas que realizava jovens a uma acumulação de colesterol. Houve outra figura chave que reforçou essa hipótese durante o século XIX, o fisiologista norte-americano Ancel Keys (1904-2004). Posicionou as gorduras saturadas como os culpados pelo aumento do colesterol, o que obstruía as artérias. Destaca-se, neste sentido, o ambicioso estúdio que lançou em 1958, pelo qual se efectuaria a relação entre a alimentação, as taxas de colesterol e casos de doenças cardiovasculares entre a população de sete países (Grécia, Iugoslávia, Itália, Países Baixos, Finlândia, ESTADOS unidos e Japão). A indústria agro-alimentar começou a promover alimentos que ajudam a controlar o colesterol e a criar um poderoso negócio em torno deles. Não obstante, este estudo seria tachado de manipulação por outros profissionais, como o doutor Dominique Dupagne. Diz-Se que dos vinte e dois países que abrangia a pesquisa, só foram utilizados sete com o fim de provar sua afirmação, sem a obtenção de conclusões realmente convincentes. Mais tarde, Keys incluiria em sua teoria as descobertas do cientista americano John Gofman, a quem devemos a distinção entre o bom colesterol (HDL) e colesterol ruim (LDL). Tudo isso é apenas o começo de uma longa controvérsia, pois a estes seguiram-se muitos outros estudos de conclusões variadas, repletos de informação complexa e, muitas vezes, contraditória. Trata-Se de uma polêmica que, décadas depois, continua alimentando debates dentro da comunidade médica, como nos meios de comunicação. Como o mau colesterol é tão prejudicial para a saúde? Nos últimos anos tem surgido uma grande multidão de estudos que refutam ou negam a relação entre o colesterol ruim e os problemas cardiovasculares. Como exemplo, encontramos a investigação levada a cabo pela American Heart Journal em 2009. Da mesma recolhe os resultados obtidos pelo Dr. Gregg C. Fonarow, que entre 2000 e 2006 realizou um acompanhamento em 541 hospitais de até 231.986 renda por doença cardiovascular. A metade destes pacientes apresentavam um baixo índice de colesterol. Sem esquecer, também, o macroestudio de 2012 da Universidade de Ciências Petursson na Noruega. A equipa de cientistas investigou a evolução do estado de saúde de 57.087 pessoas durante 10 anos, cujas conclusões indicam que um colesterol baixo aumenta a mortalidade e que não existe relação entre o colesterol e os problemas cardiovasculares. Esses especialistas chegaram a afirmar, inclusive, que o colesterol moderadamente alto é cardioprotector. Muito mais recente é o documentário Cholestérol, le grand bluff (Colesterol, o grande engano), lançado em 2016 dirigido por Anne georgette macio e co-produzido por Arte GEIE